10 maio 2011

Que a Bossa seja nova


Daniela Marino

Sinal verde. Atravessei pra lá do sol... “Saudade FM! Você ouviu Pernas, de Sérgio Ricardo, com o oferecimento do fixador de dentaduras...”.

Não sou muito fã de Bossa Nova e tão pouco sinto saudade de uma época que não vivi, mas tentando sintonizar o rádio do carro, Bossa foi o que restou dadas as outras opções: “No rebolation,tion,tion...” “Quase de manhã e ainda não dormi,fiquei bebendo até cair...” “Gaga uh lá lá...”

Fico pensando o que será que os compositores na época tomavam para escreverem sobre um par de pernas que entra num conversível, o patinho qüem, qüem ou o barquinho que vai e vem.

Deve ser normal que nosso gosto musical se altere com o passar dos anos e tão normal quanto a mudança de gosto é o choque cultural entre gerações quando o assunto é música.

Se tivesse um filho adolescente hoje, não saberia o que é pior: um filho “Emo” que se veste de forma andrógena ou uma filha rebolando até o chão ao som de uma música que enaltece a promiscuidade sem fim, a exemplo da professora que foi filmada dançando o tal de “enfiadinho”... Argh!

Pode ser que daqui a 15 anos, quando minha filha for de fato adolescente ,as coisas não estejam tão ruins.
No final das contas, fico na esperança de que a Bossa volte a ser moda e minha filha se dê por contente em balançar ao som ingênuo do barquinho que vai enquanto a tardinha cai.

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