29 junho 2011

Conversa de bar



Antonio Taveira

Uma cerveja estupidamente gelada...
Enquanto o garçom se afasta para atender ao meu pedido, olho ao redor do bar quase vazio àquela hora. Espero que aqueles dois não demorem - penso... Mas logo sinto um tapa leve nas costas.
Já que foi o primeiro a chegar, ganhou o direito de pagar a conta. Garçom, traz mais dois copos.
Aposto que vocês fizeram de propósito, ficaram escondidos esperando eu entrar sozinho.
Nós jamais faríamos isso com você!
E então aquele timinho tomou outra surra do Palmeiras...
Nem me fale, dessa vez acho que o Luxa não ta com nada. Mas não vamos falar de futebol, porque se meu time está lá embaixo e esse ano não dá mais nada, o seu também não está tão bem.
Pelo menos já tamo na libertadores. È nóis na fita, mano!
Mas sabe que time sem passaporte não viaja prá muito longe, vai cair na primeira fase.
Esse ano vai ser dos Porco e nem os Bambis vão chegar. Vamos mudar de assunto, mas não pode ser automobilismo, porque o Rubinho Pé de Chinelo deu uma esperançinha prá gente que já acabou. O Button vai levar e aqui no Brasil.
Vamos falar daquela nova secretária do advogado do 4° andar.
Quê que é aquilo cara? O velhote ganhou aquele avião em alguma ação, só pode ser, ele num ta com essa bola toda não.
Toma cuidado, cara, dizem que ela é caso do chefão da área da marketing. Ele que arrumou um lugar pra ela na empresa e prá num dar bandeira, colocou na advocacia.
Vocês vão querer beliscar alguma coisa?
Traz as pernas da Sheila Carvalho, ou então da Viviane Araújo.
OK! Como elas não estão no cardápio, vou trazer o de sempre: uma picanha fatiada no ponto e uma porção de batatas - da portuguesa, certo? Vou trazer mais uma cerveja.
O garçom virou as costas e voltou para o bar.
Você falou uma coisa e é verdade, hoje a dolorosa é por minha conta.
Que é isso, vamos ratear como sempre fizemos.
Me deixa contar esta história. Sabem aquele cara da exportação que se acha bonitão, metido a Don Juan?
Sei, o cara é o maior mala.
Dizem que já cantou todas do andar dele.
Então... Eu estava no cafezinho quando ele chegou e comentei com ele se tinha reparado naquela morena de cabelo curtinho da área comercial.
Espera aí, essa mina...
Calma! Eu sabia da história dela. Quando ele lembrou quem era, ficou todo animado e eu dei corda. É uma garota super meiga, carinhosa, além de ser bonita e ter um belo corpo.
Realmente é uma bela mulher.
Então, cara, que tal investir numa saída com ela? Se você conseguir, eu pago o motel. Se não conseguir, você paga o chopp.
Fechamos a aposta. Ele começou o flerte mandando bombom num dia, uma rosa no outro, uma revista feminina, uma ligaçãozinha para desejar bom dia. E assim foi indo, até que chegou o dia da cartada final. Mandou um belo arranjo de flores com um convite para um romântico jantar. Ela ligou agradecendo as flores e disse que daria a resposta às dez e meia na Cafeteria na entrada do prédio.
E como você ficou sabendo de tudo isso?
Depois que marcou o café, ele me ligou todo feliz já cobrando a aposta. Como eu não queria perder essa cena, desci antes deles e fiquei em uma mesa no canto fingindo ler um jornal. Eles chegaram e eu ouvi toda a conversa.
Você gostou das flores? E o convite está de pé?
As flores são belíssimas, muito obrigado, mas o jantar eu não vou poder aceitar.
Por que? Algum problema comigo?
Não tem nada a ver com você, não. Toda mulher gosta de ser mimada, receber atenção, presentes.
_ E ...
_ O problema, colega, é que gostamos da mesma fruta!

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