Dica 20 - LITERATURA DE JORNAL (O QUE É A CRÔNICA) Artur da Távola
É o samba da
literatura. É ao mesmo tempo, a poesia, o ensaio, a crítica, o registro
histórico, o factual, o apontamento, a filosofia, o flagrante, o miniconto, o
retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o
humor. Tudo isso ela contém, a polivalente.
Direta a
simples como um samba. Profunda como a sinfonia.
CRÔNICA E
OVO [Jornal O Dia, 27 de junho de 2001] Luis Fernando Veríssimo
"A
discussão sobre o que é, exatamente, crônica, é quase tão antiga quanto aquela
sobre a genealogia da galinha. Se um texto é crônica, conto ou outra coisa
interessa aos estudiosos de literatura, assim como se o que nasceu primeiro foi
o ovo ou a galinha, interessa aos zoólogos, geneticistas, historiadores e
(suponho) o galo, mas não deve preocupar nem o produtor nem o consumidor. Nem a
mim nem a você.
SOBRE A
CRÔNICA - Ivan Angelo
Fernando
Sabino escreveu que "crônica é tudo que o autor chama de crônica".
A
dificuldade é que a crônica não é um formato, como o soneto, e muitos duvidam
que seja um gênero literário, como o conto.
Há crônicas
que são dissertações, como em Machado de Assis; outras são poemas em prosa,
como em Paulo Mendes Campos; outras são pequenos contos, como em Nelson
Rodrigues; ou casos, como os de Fernando Sabino; outras são evocações, como em
Drummond e Rubem Braga; ou memórias e reflexões, como em tantos.
Elementos
que não funcionam na crônica: grandiloqüência, sectarismo, enrolação,
arrogância, prolixidade. Elementos que funcionam: humor, intimidade, lirismo,
surpresa, estilo, elegância, solidariedade.
Rubem Braga
respondeu assim a um jornalista que lhe havia perguntado o que é crônica: Se
não é aguda, é crônica.
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