Pompom
Antonio
Taveira
A caixa já
não tinha o seu brilho natural. Pudera, o maleiro a recebera fazia muitos anos.
A memória não havia falhado, estava no mesmo lugar.
Várias
coisas faziam parte deste tesouro. Aquele livro do bebê ainda tinha a mechinha
de cabelo cortada, as primeiras unhas, a marquinha do pezinho e da mãozinha,
fotos nossas (papai e mamãe), dos avós maternos e paternos, dos padrinhos. Como
eram engraçadas as roupas daquela época. A foto do primeiro banhinho, primeiro
dia de sol e algumas outras.
Outras
raridades surgiram: a certidão de batismo, a velinha do ritual e a conchinha
para pegar a água benta. Nos primeiro desenhinhos, sempre estávamos nós: papai,
mamãe e a bebê. Os princípios da escrita, as frases e as pequenas cartinhas -
tem jeito de ser escritora, diziam os babadores de plantão.
Mas o objeto
procurado estava lá, com certeza. O plástico que o envolvia já estava um pouco
escurecido pelo tempo, mas suas cores ainda permaneciam vivas. Com um solzinho
forte, já poderiam ser usadas novamente. As luvinhas, o capuz e a capinha, com
seus pompons pendurados, formavam um conjunto muito bonito e colorido que
agradava muito aos olhos. Pareciam de boneca, mas realmente eram para uma linda
boneca e, apesar de ser homem, e homem não brinca de boneca, adorei recebê-la de
presente e brinco com ela até hoje.
A boneca
cresceu. Começou a andar, foi pra escolinha, depois para a escola, passou pela
aborrescência, que não foi tão aborrescente assim, teve o primeiro namorado,
entrou para a faculdade, formou-se numa linda festa e casou.
Agora, minha
boneca me deu um outro presente, outra boneca, tão linda quanto a que ganhei
alguns anos atrás. Certamente vou brincar muito com esse novo “brinquedo”, pois
agora sem aquele jeito policial de pai, vou poder estragá-la bastante.
E meu
presente para ela será este lindo conjunto colorido de capuz, capinha e
luvinhas, que deixará minha nova boneca tão linda quanto a primeira dona deles.
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