ENTERRO
Vitória Garcia
Tudo
começou naquela tarde do dia 13 de dezembro. Todos se preparando para as festas
de fim de ano, casas sendo decoradas, presentes sendo comprados. Todos felizes
planejando passar dias especiais com parentes, amigos, enfim, pessoas queridas.
Eu não.
Desde
aquele dia perdi minhas memórias boas, e só mantive as ruins. Não me arrependo
de ter tirado a vida daquela mulher.
Não me deixaram ver
seu enterro e nem seu velório, mas quem disse que eu queria?
Nossas vidas foram
interligadas desde muito cedo e separadas de forma trágica, eu separei nossas
vidas dessa forma, eu escolhi tirar a vida dela.
O começo de tudo é
bom, mas o fim sempre é amargo. Talvez eu devesse ter tirado a minha vida e não
a dela, mas arrependimento é uma coisa que eu jurei nunca sentir quando puxei o
gatilho acertando a sua cabeça em cheio, e o pior é que eu nem tive coragem de
fugir.
O começo de nossa
história foi em abril de 1983, quando tinha oito anos de idade. Minha família
mudou-se para Amsterdã, pois meu pai arranjou um trabalho em uma multinacional.
Ela era minha vizinha. Lembro até hoje de ter visto uma menininha, com cachos
dourados e um sorriso lindo.
Brincamos bastante
nessa época e já na adolescência começamos a nos gostar, ou melhor, eu gostava
dela e ela dizia que gostava de mim, fato no qual nunca acreditei. Creio que
tenha sido uma das mágoas que me levaram a cometer esse assassinato.
Me tornei uma pessoa
fria, insensível. Na cadeia comecei a ter idéias para matar pessoas, para fazer
sofrer tanto quanto eu sofri.
Decidi que nada
daquilo era realmente válido. Sendo assim, simplesmente passei a sobreviver,
infeliz.
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