01 fevereiro 2012

ENTERRO


Vitória Garcia
 ETEC Aristóteles Ferreira 
           

            Tudo começou naquela tarde do dia 13 de dezembro. Todos se preparando para as festas de fim de ano, casas sendo decoradas, presentes sendo comprados. Todos felizes planejando passar dias especiais com parentes, amigos, enfim, pessoas queridas. Eu não.
            Desde aquele dia perdi minhas memórias boas, e só mantive as ruins. Não me arrependo de ter tirado a vida daquela mulher.
Não me deixaram ver seu enterro e nem seu velório, mas quem disse que eu queria?
Nossas vidas foram interligadas desde muito cedo e separadas de forma trágica, eu separei nossas vidas dessa forma, eu escolhi tirar a vida dela.
O começo de tudo é bom, mas o fim sempre é amargo. Talvez eu devesse ter tirado a minha vida e não a dela, mas arrependimento é uma coisa que eu jurei nunca sentir quando puxei o gatilho acertando a sua cabeça em cheio, e o pior é que eu nem tive coragem de fugir.
O começo de nossa história foi em abril de 1983, quando tinha oito anos de idade. Minha família mudou-se para Amsterdã, pois meu pai arranjou um trabalho em uma multinacional. Ela era minha vizinha. Lembro até hoje de ter visto uma menininha, com cachos dourados e um sorriso lindo.
Brincamos bastante nessa época e já na adolescência começamos a nos gostar, ou melhor, eu gostava dela e ela dizia que gostava de mim, fato no qual nunca acreditei. Creio que tenha sido uma das mágoas que me levaram a cometer esse assassinato.
Me tornei uma pessoa fria, insensível. Na cadeia comecei a ter idéias para matar pessoas, para fazer sofrer tanto quanto eu sofri.
Decidi que nada daquilo era realmente válido. Sendo assim, simplesmente passei a sobreviver, infeliz.

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