SÉRGIO RICARDO
O Estado de
S.Paulo de 10.03.2012
SÉRGIO
RICARDO
Piri,
Cássio, Franklin e Paulinho de Camafeu com Sérgio Ricardo
ÓTIMO
Seis anos
depois de quebrar seu violão e arremessá-lo à plateia da TV Record, durante as
vaias à sua Beto Bom de Bola, no Festival de Música Popular Brasileira de 1967,
aquele que nunca terminou, Sérgio Ricardo firmou-se na perigosa frente dos
músicos de protesto ao lado de Geraldo Vandré. Mas não só isso. Sérgio é um
criador de harmonias absurdamente originais, arranjos retirados de ritmos
nordestinos e letras de cortes sociais e revolucionários num momento em que o
País precisava mais do que a reforma estética da Tropicália. Em 1973, época de
Médici nas rédeas do País, Sérgio lança este estupendo LP, dos mais
provocativos e belos de sua carreira. A capa traz uma foto em que aparece
durante o Festival da Record de tarja branca sobre a boca, uma imagem que
poderia ter várias interpretações. O calaram na vida ou só na música? Eram as
vaias ou a censura que queria atingir? Sem subterfúgios, o que lhe custaria
problemas com os milicos, Sérgio traz a canção Calabouço, feita em memória do
estudante Edson Luiz no restaurante Calabouço. Sua sacada aqui é alternar o
'cala boca, moço' com o Calabouço. Genial e necessário. / JULIO MARIA
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