27 janeiro 2013

Murilo Rubião - o realismo fantástico do Brasil

O ato de reescrever define a trajetória do mineiro Murilo Rubião (1916-1991), cuja obra se condensa em 33 contos, enfeixados em sete livros, de O Ex-mágico (1947) ao O homem do boné cinzento (1991). Neste percurso, seus textos sofrem alterações e aparecem transformados em outro livro, sem que o seu sentido se altere significativamente. Verifica-se, de uma versão para outra – nos contos reescritos e republicados - um sistema contínuo de permutações, que coincide com a temática da metamorfose. A escrita parece refletir o gesto do escritor em sua busca pela clareza absoluta, pela coincidência entre palavras e coisas, pelo intangível.
Contos e personagens encontram-se condenados à repetição. A tríade condenação/infinito/absurdo se reflete em suas histórias, fazendo que seus seres ficcionais se espelhem mutuamente. A metamorfose habita personagens que se veem eternamente lutando com a impossibilidade de encontrar sua própria personalidade, de outros que não conseguem conter suas transformações físicas ou atingir os objetivos desejados.
Outra marca do escritor encontra-se na opção pelo fantástico, numa narrativa que apresenta aventuras extraordinárias e que rejeita a poética do realismo. Não se trata da recusa da realidade, mas sim da recusa de uma forma mimética de retratá-la. A concepção da arte narrativa como artifício ou construção aproxima-o da visão borgiana. Murilo Rubião, em seu universo insólito, adere à “primitiva claridade da magia” e à sua “ordem diversa, lúcida e atávica”.

Fonte: Sandra Regina Chaves Nunes in http://www.grupo3.art.br/espetaculo.php?canal=espet&id=59

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