Conversa de bar
Thays
Morales
Uma cerveja
estupidamente gelada... Enquanto o garçom se afasta para atender ao meu pedido,
olho ao redor do bar quase vazio àquela hora. Mas que estranho, não entendi
porque estava assim, tão deserto o bar. Fui lá tantas vezes e nunca vi o local
desse jeito. Logo que o garçom chega com a cerveja, minha curiosidade me impele
a perguntar o que tinha acontecido aqui.
Ele, com um
ar de vergonha e constrangimento, me relata tudo em detalhes:
--- O senhor
não sabe?
--- O que?
--- Faz uns
dias, aqui mesmo na mesa em que o senhor está um crime aconteceu!!!
--- Meu
Deus!!! Por que? Como foi?
--- Uma
coisa esquisita. Foi por ciúmes.
---- É? Não
me fala...
---- Sim, só
que ciúmes de homem por homem. Tenho até vergonha de contar.
---- Por
favor, conte.
---- Chegou
no bar um casal, homem e mulher. Até aí, tudo normal, né? Estavam tomando
cerveja, a mesma marca que o senhor toma, conversando, pareciam namorados.
---- Sim?
---- Em
outra mesa, um homem de uns 40 anos, bem apessoado, não tirava os olhos do
casal. Encarava mesmo, sem disfarçar. A moça percebeu e perguntou pro namorado
se ele conhecia o homem, ele disse que não. Um pouco depois, ela levantou e foi
ao banheiro...
---- E,
depois, que aconteceu?
---- O
senhor não vai imaginar!!! O homem da mesa em frente levantou, caminhou em
direção ao rapaz, parou e perguntou: - “Você lembra de mim?”
Eu ouvi tudo
enquanto levava mais uma cerveja pra mesa dele. O rapaz respondeu:
- “Sim,
perfeitamente, mas preferia não lembrar. E acho melhor você ir embora que a
minha namorada já está voltando”.
O homem
retrucou: - “Namorada? Então, agora gosta de mulher? Que novidade é essa? Ela
vai saber quem você é”.
O rapaz
implorou: - “Por favor, não conte nada, te peço em nome dos velhos tempos”.
O homem
continuou olhando pro rapaz, olhou pra mulher que já tinha voltado, e só deu
tempo a ela de perguntar: - “Quem é você?”.
Foi quando o
homem disse uma frase que nunca pensei ouvir, em toda minha vida de garçom:
- “Ele é o
meu homem, e se não for meu, não será de mais ninguém.
Depois
disso, olhou pro namorado da moça, tirou uma arma da cintura, escondida embaixo
da blusa, e deu um tiro certeiro no coração do rapaz. . Em questão de segundos,
o sangue se espalhou pela mesa do bar, se misturando às pequenas poças de
cerveja, estupidamente gelada, da mesma marca que o senhor toma.
0 comentários:
Postar um comentário