Encontro Marcado
Rosi
Caobianco
Maio/2009
Sábado à
noite, em meio ao turbilhão da rotina e dos compromissos, toca o interfone.
Antes das seis, quem será? Grito de longe: In-ter-fo-ne! Ninguém me ouve e vou
atender. O porteiro diz: É o senhor “S”, posso mandar subir?
E eu “R”,
repondo:
- Sim,
claro. E penso: Nossa que pontualidade! Será que isto tudo é ansiedade pela
reunião dos novos e talentosos escritores? Sorri por uns instantes, enquanto o
aguardava, já na porta de entrada.
Querido “S”,
seja bem- vindo. Então, ele perguntou:
- Sou o
primeiro a chegar?
- Sim, mas
entre, vamos tomar um café que logo chegarão os outros. Apresentei-o à família,
sentamo-nos e deixamos a agradável conversa fluir.
Não tardou,
tocou o interfone novamente. Dona “R”, chegou a Dona “E”.
- Tudo bem,
senhor “J”, deixe-a subir. Chegarão ainda outras pessoas, avise-me quando
chegarem.
Enquanto
aguardávamos os outros integrantes do grupo, servimo-nos de café e, sem querer,
uma sinergia favorável começou a tomar conta do ambiente. Ótimo sinal, o
encontro prometia ser o primeiro de muitos.
Coitada da
amiga “T” . Quando chegou, o porteiro a encaminhou para que subisse e não me
avisou. Na porta do apartamento, ela tocou a campainha mas ninguém atendeu.
Estranhou e retornou em direção à portaria. Aí sim, o porteiro interfonou e
avisou de sua chegada. A amiga “T” pensou até em ir embora, mas resolveu insistir.
Ainda bem, já pensou que desagradável? Não ser atendida...
Pensamos que
o amigo “T” não viria mais, devido à demora. A amiga “F” telefonou e avisou que
se atrasaria, pois estava fora da cidade. Já sem esperanças de que o amigo “T”
viesse, tocou o interfone. E o porteiro disse:
- Dona “R”,
é o senhor “T”. Muito bem, senhor “J”, mande-o subir.
Sem
demonstrar preocupação, aguardei-o frente à janela da sala, disfarçadamente. O
elevador chegou, dirigi-me até a porta e cumprimentei-o. Para minha surpresa, o
senhor “T”, muito atencioso, chegou com uma garrafa de vinho chileno para a
senhora “R”, dona da casa, e bombons para as demais colegas. Encantador, este
senhor “T”.
Educadamente,
agradeci a gentileza e fomos ao encontro do grupo. Uma química interessante tomou
conta dos colegas. Animados, conversavam e eu, coitada, corria para cima e para
baixo para atendê-los.
Logo chegou
a senhora “A”. Fui recebê-la. Mais sobe e desce. Em instantes, também já estava
enturmada.
Tomamos
café, conversamos e alguém lembrou: e o vinho? É só para enfeite? Pensei:
- Pronto, já
vou ter que dividir meu presente. Com um sorriso amarelo, fui abri-lo. A rolha
quebrou e não saía por nada. Comecei a ficar com dor na consciência. Mas logo
resolvi a situação e pude serví-los.
Imagina,
vinho, amigos, bom papo, começamos a nos soltar, ler textos e dar boas risadas.
Encomendamos uma pizza, generosamente paga pela senhora “E”. Jantamos, tomamos
todo aquele vinho e mais outro. Não tinha como um encontro destes dar errado.
Felizes,
prometemo-nos outras reuniões. Deste sábado em diante o grupo selou uma amizade
leal e gratificante.
A amiga “F”
não chegou a tempo. Enviou-me flores no dia seguinte. Mas sabemos que será mais
um elo para agregar ao grupo. Será também muito bem-vinda. Assim como os outros
integrantes do “Laboratório do Escritor” que também deixaram de comparecer ao
primeiro encontro literário.
Não
obstante, que venham outros e outros encontros, recebê-los-ei.
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