Mar revolto...
Rosi
Caobianco
Uma mistura
de ansiedade e apreensão me envolveu ao observar a aspereza com que o mar batia
nas pilastras e invadia as calçadas da Ponta da Praia em Santos. Caminhava
casualmente, um final de tarde, e diante do que vi, não resisti. Parei para
observar e fotografar.
Deixou-me
boquiaberta a sensação de perigo que, logo em seguida, transformou-se em arte
refletida nas lentes de uma câmara fotográfica. As ondas do mar espumavam com a
volúpia da natureza e exteriorizavam pelos vincos que se abriam nos espaços
escolhidos para fazer-se representar. Prontamente, puderam ser registradas por
mim naquele instante de rara beleza. De minuto em minuto, lá vinham elas, cada
vez mais iradas, mais fortes, mais transtornadas e loucas para mostrar sua
beleza e sua força.
O mar
parecia contrariado, demonstrava um rompante como o de alguém que conhece sua
capacidade de destruição e queria demonstrar, ali, todo o seu potencial, doesse
a quem doesse. Nele pulsa um coração de pedra e, em sua linguagem, mostra sua
insatisfação, revolta-se com aqueles que o agridem e enchem de lixo, de pets,
de tudo que não contribui com aquele habitat. Evidencia que dentro dele existe
vida, seres das mais variadas espécimes, de classes completamente diferentes,
cada um na sua singularidade e que interagem entre si. E que também se devoram
quando querem lutar pela sobrevivência.
Em
determinado momento, pensei: como não respeitar este gigante, esta imensidão
que em algum momento contribuirá para com o futuro da humanidade? Ali está, no
mar, o maior volume de água do mundo... Neste pedaço do oceano... Soberano e
prepotente.
Seguro de
si, sabe de sua importância e avisa: Preservem!
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