Os dois lados da festa
Ana Lucia
dos Santos
Copas de
árvores, de um verde escuro e forte, hoje tem matizes mais definidas. Flores
amarelas salpicando o verde também ficam mais exuberantes. Vejo os coqueiros
com galhos pendendo como braços estendidos, a proteger e a ungir areias e
pessoas.
Hoje é dia
de maratona. Corre, corre, sua o corpo, lava a alma. Corre, corre para onde?
Não precisa saber. Apenas corre, arrasta a energia dos que olham e dos que
passam. Misturam-se corpos, suores, gente.
Balões azuis
no céu, alegria no ar. Crianças pululantes brincam de correr. Clareia o sol as
imagens felizes. Generoso, ilumina gente determinada, ilumina o esforço
admirável.
Festa na
rua, festa na praia. Vem a certeza de que os jardins sorriem também. Raios de
sol penetram nas plantas e flores sem pedir licença. Pra que pediriam?
Vejo homens
fortes, homens bonitos, mulheres também. Homens não tão fortes correm, correm.
Lavam o corpo de suor, lavam a alma. Quero também lavar a alma, pedir a calma
que vem depois.
Um pouco
mais longe, os ares e a energia da festa se diluem. Os generosos raios de sol,
que aí também não pedem licença, inundam o asfalto que já queima. Impacientes e
frenéticas buzinas de carros, alheias à festa, enlouquecem.
Homens e
mulheres, nem fortes nem felizes, inundam um trânsito que não anda. E se
perguntam: que cidade é esta, que caos é este, que dia é este!
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