21 novembro 2011

Esperar


  
Texto coletivo, iniciado e encerrado pelo aluno Diego Lima –  3 M 3 - ETEC Aristóteles Ferreira


Em seu silêncio úmido e profundo Juno desvencilhava-se do sólido e circunspecto cotidiano procurando enveredar em seus sonhos algum caminho que pudesse motivar sua espera. Estava lá há muito tempo e até o “tempo” já se enjoava dela, porque no final das contas não era tão simples esperar o destino acontecer.
            Contemplava o universo em toda a sua imensidão para tentar se distrair e tornar a espera menos agoniante, parou e olhou os homens e mulheres que levavam suas vidas sem saber o que lhes esperava, “sortudos” pensou, para ela as coisas nunca foram simples já que foi condenada a sempre saber o que vai acontecer.
            “Aquele deveria sofrer uma morte horrível” – meditava – pois sua vida foi construída na ambição desenfreada e na inveja. Tendo plena consciência da sina de cada um dos mortais, era-lhe ensinado a virtude justiça. “A dor que este homem causou, as feridas que abriu, as vidas que encerrou, serão a força de cada golpe desferido contra seu corpo”. Era plena conhecedora ma ainda assim mera expectadora da vida.
            Esse homem o qual não podemos pronunciar o nome, carrega consigo a dor da destruição. Por onde passa ele semeia a dor e a discórdia. Um desastre está prestes a acontecer por suas mãos. Ela tem conhecimento mas não sabe como impedir.
            Afinal, o que poderia fazer? Fora-lhe dado o dom da visão e da compreensão, não da orça bruta necessária para pará-lo. E não sabia em quem podia confiar, nem se realmente havia alguém confiável. A Polícia? Não, aquele homem tinha recursos demais, pode demais. O que fazer? O mundo estava em suas mãos.
            E na estava ao mesmo tempo. Conhecer o pequeno fio que se desembaraçava e tecia o significado da vida não lhe possibilitava mudar o rumo da existência, no entanto como ela esperava e assim como previa, o destino lhe tocou.
- Moça, está tudo bem com você? – O homem a fitou, embora tivesse aqueles costumeiros olhos ardilosos, fora sensível, talvez pela primeira vez.
- Comigo? Sim. Mas com você já não tenho tanta certeza.
            Ele apenas sorriu e sem perceber começou a ver que se sentia penetrado e preenchido por uma idéia estranha, aquela garota lhe fizera pensar sobre o que era, fazia, sentia e o que queria ser.

            

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