Esperar
Texto
coletivo, iniciado e encerrado pelo aluno Diego Lima – 3
M 3 - ETEC Aristóteles Ferreira
Em seu
silêncio úmido e profundo Juno desvencilhava-se do sólido e circunspecto
cotidiano procurando enveredar em seus sonhos algum caminho que pudesse motivar
sua espera. Estava lá há muito tempo e até o “tempo” já se enjoava dela, porque
no final das contas não era tão simples esperar o destino acontecer.
Contemplava o universo em toda a sua
imensidão para tentar se distrair e tornar a espera menos agoniante, parou e
olhou os homens e mulheres que levavam suas vidas sem saber o que lhes esperava,
“sortudos” pensou, para ela as coisas nunca foram simples já que foi condenada
a sempre saber o que vai acontecer.
“Aquele deveria sofrer uma morte
horrível” – meditava – pois sua vida foi construída na ambição desenfreada e na
inveja. Tendo plena consciência da sina de cada um dos mortais, era-lhe
ensinado a virtude justiça. “A dor que este homem causou, as feridas que abriu,
as vidas que encerrou, serão a força de cada golpe desferido contra seu corpo”.
Era plena conhecedora ma ainda assim mera expectadora da vida.
Esse homem o qual não podemos
pronunciar o nome, carrega consigo a dor da destruição. Por onde passa ele
semeia a dor e a discórdia. Um desastre está prestes a acontecer por suas mãos.
Ela tem conhecimento mas não sabe como impedir.
Afinal, o que poderia fazer?
Fora-lhe dado o dom da visão e da compreensão, não da orça bruta necessária
para pará-lo. E não sabia em quem podia confiar, nem se realmente havia alguém
confiável. A Polícia? Não, aquele homem tinha recursos demais, pode demais. O
que fazer? O mundo estava em suas mãos.
E na estava ao mesmo tempo. Conhecer
o pequeno fio que se desembaraçava e tecia o significado da vida não lhe
possibilitava mudar o rumo da existência, no entanto como ela esperava e assim como
previa, o destino lhe tocou.
- Moça, está
tudo bem com você? – O homem a fitou, embora tivesse aqueles costumeiros olhos
ardilosos, fora sensível, talvez pela primeira vez.
- Comigo?
Sim. Mas com você já não tenho tanta certeza.
Ele apenas sorriu e sem perceber
começou a ver que se sentia penetrado e preenchido por uma idéia estranha,
aquela garota lhe fizera pensar sobre o que era, fazia, sentia e o que queria
ser.
0 comentários:
Postar um comentário