Pêndulo
Já são cinco e meia. O pêndulo
delicado vai e vem no relógio velho de plástico branco, pendurado na parede da
sala virado para a janela. Olho para o céu meio rosa, meio laranja e a última
luz ocre do fim de tarde brilhando no bronze da peça. Cinco e trinta e cinco.
Levanto rápido do sofá, começo a arrumar os livros na mochila e troco a roupa.
A aula é as seis, e se me atraso de novo hoje, sei do problema que vai ser
tentar entrar na primeira aula.
Corro até a cozinha, engulo o café (da
manhã) e me apresso para o ponto de ônibus onde por azar ele passa momentos
antes de chegar ao ponto. Penso em maldições e outras palavras de baixo calão e
até na Lei de Murphy, tudo isso em um segundo após o fato. Então eu me lembro
de usar meu último recurso: Meu Portal do Tempo! Porém, só posso usá-lo uma vez
por ano e voltar quanto tempo eu quiser, porém perco a quantidade de tempo de
vida que eu usar para voltar no tempo.
Então resolvo calcular o tempo que
seria necessário para pegar o ônibus que passara antes de eu chegar calculando
rapidamente para não perder tempo chego ao conceito de que 5 minutos seriam
perfeitos e 5 minutos não me faria falta.
Depois de usar o portal e chegar ao
que seria o ponto de ônibus 5 minutos atrás, eu me preparo para a chegada dele,
mas para meu espanto chega uma biga na minha frente. Logo após o choque percebo
que agora eu estava Roma Antiga. Olho que ocorreu algo de errado.
Enquanto e pensava, uns guardas
vieram ao meu encontro. Deveria (ser) para me prender, já que eu era um
estranho para eles, principalmente porque estava com roupas que eles nunca
tinham visto antes. Corri o mais rápido que pude. Cansado, me escondi num beco. E agora? Como sair daquela
situação? De repente surgiu uma boa idéia. Procurar um alquimista ou alguém que
entendia de ciência.
Pergunto a uma pessoa sobre se há
algum alquimista nessa área. Disseram-se
que sim e deram-me sua localização. Fui até lá em furtividade e bati na porta.
Um velho louco apareceu. Expliquei o que havia ocorrido e ele me disse para
entrar e esperar.
A sua casa cheirava fortemente a
cloro e enxofre, e ele me analisava curiosamente. Foi a um canto onde tinham
pedras de cores e formas esquisitas, e começou a trabalhar nelas. Eu estava
impaciente, não entendia tudo aquilo, não entendia porque meu portal do tempo
não tinha funcionado. O velho se aproxima com uma pedra ocre e brilhante.
Começa a me dar instruções em uma língua estranha, que mais estranhamente ainda
eu entendi. Ele foi aproximando a pedra, sua luz amarelada me cegava cada vez
mais, e eu fechei os olhos, esperando chegar.
Ouvi um barulho metálico e abri os olhos com a luz amarelada ainda em meus olhos. Vejo a luz do
fim de tarde batendo em meu rosto, e o relógio da parede. O pêndulo continua balançando. Seis e vinte.
Suspiro e me conformo que perdi a aula de hoje.
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