Almofada
Texto
coletivo – Iniciado e encerrado por Miguel Canas Gonçalves – 3 M 2. ETEC Aristóteles Ferreira
“Estudos e mais estudos, muitas
horas de aprendizagem. A escola toma cerca de um terço do dia dos alunos, nada
como descansar quando está em casa”.
Era a manchete do principal tablóide
da cidade. “Na sociedade moderna a cobrança pelos valores culturais e
intelectuais de um indivíduo qualquer vem se acentuando, uma vez que a
disparidade de conhecimentos, munida de profissionalismo, atua diretamente no
progresso global”, afirmou Watson, sociólogo formado pela Universidade de
Oxford.
Aquelas afirmações informativas
deixaram Bruno cada vez mais empolgado para a
fase que viria. Preparava-se para entrar no ITA.
Mas, suas noites de sono não iam
bem. Aquela maldita almofada, presente de sua avó Regina, professora de
matemática, só não foi pior que o livro “educação sexual”, o qual ganhou quando
tinha nove anos. Definitivamente, vovó Regina não era boa para dar presentes e
certamente não conhecia a internet.
A almofada era utilizada como
assento para sua cadeira durante seus estudos. Porém, quando a noite caia, a
mesma almofada forma seu pior pesadelo. Ela tinha uma foto da tia Regina com
muitos números ao redor. Bruno gostava muito de sua avó, mas convenhamos que a
foto de uma velha na era a melhor forma de pegar no sono.
Ainda mais com aquela almofada em
sua cabeça. Então, resolveu tomar uma decisão brusca. Não usaria mais aquela
almofada e tiraria o quadro da parede, mesmo sabendo que sua avó ficaria
chateada. Ir bem nos estudos era mais importante.
Dito e feito. Livrou-se da almofada,
continuou a estudar e essa foi sua rotina durante semanas até a terrível
notícia. Sua avó Regina havia falecido, morte tranqüila, dormindo. Pois bem, o
remorso tomou conta do garoto, já não sabia o que fazer. Pensou em desistir dos
estudos.
Mas que nada, estudar e passar no
ITA eram melhor que sua avó. Aliás, ela ficaria feliz com isso e agora daria um
presente bom, reservaria um pedacinho do céu a ele.
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