Albatroz
Suas asas
são enormes. Geram vôos de longas distâncias para que eles saiam à procura do
cardume de peixes para sua alimentação. O pequeno albatroz ainda não é capaz
dessas jornadas. Então, aguarda no ninho pela volta dos pais que lhe trarão
comida. Em vão. Nem pai nem mãe retornam. Nem no dia seguinte, e nem no outro.
A pequena ave solitária, olhos inocentes, explora a floresta, não pensa que o
inimigo pode estar por perto.
Assusta-se
com uma sombra a seu lado. Pode ser o pai. Não tem asas. Enganou-se. É apenas
uma árvore mais frondosa.
- É preciso
se adaptar a qualquer circunstância... A vida é assim.
As palavras
do pai martelam sua cabeça, fazendo com que a tristeza do pequeno albatroz
aumente ainda mais. Mas ele percebe que não tem escolha. Sabe que precisa andar
com suas próprias pernas para sobreviver. Que o futuro está em suas mãos e na
coragem com que irá conduzir as intempéries da vida.
Descobre,
então, uma força que desconhece. Tem vontade de se lançar, alçar vôos
infinitos. Fecha os olhos, abre as asas, plana. Jamais sentira o pai tão perto
de si como nesse momento.
- É preciso
se adaptar a qualquer circunstância... A vida é assim.
Na primeira
tentativa, por mais que se movimente, plana por pouco tempo e cai. Pensa no pai
uma vez mais, no exemplo de seus vôos e recobra o ânimo, a confiança. Está
pronto para uma nova tentativa.
Tenta uma
vez mais. Cai. Segue-se nova tentativa. Até que o vôo se torna mais firme, mais
longo. Sabe agora que pode cuidar de sua própria sobrevivência. Agiganta-se.
Voa sobre o mar, àquela hora cheio de óleo. Não teme mais nada. Sua vida,
naquele momento, não seria interrompida pela irresponsabilidade dos homens.
Bate as asas com mais força, arremessa e sobe.
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