PURITANO
Andressa Peres
ETEC Aristóteles Ferreira
Eu
estava com muita pressa andando pelas ruas de São Paulo, atrasada para a
primeira aula de Português.
De
repente olhei pro lado e haviam dois cachorros no meio da rua, aquilo me deixou
muito comovida, pois estavam muito magros, sujos e quase desmaiando. Parei e
fiquei olhando aqueles pobres cachorros e logo peguei meu celular, liguei para
a escola e comuniquei que não iria para a aula por motivos de saúde (eu não
gosto de mentir, mas de alguma forma estava falando a verdade). Peguei os dois
cachorros e levei para o petshop mais perto, e depois que os cães foram
examinados o médico constatou que havia pouco a ser feito.
Algo
passou por mim. Um sentimento, uma emoção. Aqueles olhos grandes e brilhantes,
tão pedintes e carentes.
-
Faça o possível – minha voz saiu mais forte que o previsto. O homem assentiu
silenciosamente, levando os animais para uma porta nos fundos do
estabelecimento.
Não
queria que aqueles bichinhos adoráveis morressem. Durante o caminho para o
veterinário eu me apeguei a eles.
O
sonho da minha vida era ter cachorros e eu não podia ver os animais que eu mais
amava sofrendo daquele jeito.
Além do meu afeto
pelos pobres cachorros minha determinação me impedia de desistir e morri um
pouco quando o médico retornou e disse:
- O tratamento sairá
muito caro. A sua melhor opção é o sacrifício do animal.
Naquele momento senti
o meu sonho de ser veterinária chegar cada vez mais perto, pois mais do que
nunca quis salvar tanto a vida de um animal.
Comecei a chorar e
implorei para o médico dar o seu melhor no caso daqueles cachorros. Ele negou o
meu pedido e frustrada peguei os cãezinhos e fui para a rua procurar alguém que
estivesse disposto a adotá-los ou colaborar com o dinheiro para o tratamento
deles.
Andei muito, mas
infelizmente ninguém podia ficar com aqueles lindos cachorrinhos, até que por
fim um guri que aparentava ter uns 25 anos como eu me perguntou por que eu
estava chorando, e então eu contei toda a história.
Aquela pessoa que
parecia um anjo me disse então que era veterinário e que faria de tudo para me
ajudar a cuidar daqueles cachorrinhos.
Cuidamos deles com
todo o carinho do mundo, e enfim o ‘anjo’ conseguiu não só salvar os pobres cães,
mas sim conquistar o meu coração.
Anos depois nos
casamos e adotamos os cães como se fossem nossos filhos.
Fred
era um garoto gentil, inteligente e educado. Tinha bons amigos na pequena
cidade onde morava. Era feliz consigo mesmo e com sua família.
Ao
terminar o colégio sua família o mandou para uma metrópole se formar na
faculdade, pois seus pais queriam que ele se tornasse um grande advogado, já
que em sua pequena cidade não haviam faculdades boas e nem oportunidades de
emprego.
Quando
Fred foi para a faculdade gostou muito da estrutura, dos professores e já fez
vários amigos. Mas nem todos esses amigos eram boas companhias para Fred, que
em pouco tempo mudou completamente. De gentil e educado tornou-se rude e
grosso, tratando assim todos mal, agindo de forma errada e não se importando
com as consequências.
Seus
pais desinformados do que estava acontecendo trabalhavam duro para pagar a sua
faculdade e o manter lá.
Fred
iludido com a vida de festas, drogas, bebidas, mulheres e falsos amigos ia se
perdendo e suas notas decaindo.
Chegando perto da
reunião de professores e pais seu colega de quarto, João, deu um conselho para
ele dizendo que ele tinha mudado muito e que ele estava se perdendo mais a cada
dia que passava. Fred não ligou e ainda respondeu mal para o seu colega de
quarto.
Um dia antes da
reunião, depois de mais uma noite regada a álcool e drogas o garoto mal
conseguia se levantar. Ele e seus novos amigos compraram cocaína, 15 gramas
exatamente, na noite anterior. Ele nunca usará, mas com a pressão da reunião, ele
cheirou para esquecer os problemas.
Teve overdose e foi
para um sanatório. Seus pais ficaram sabendo e não puderam acreditar. Ele então
pode ver no que se transformou, decidiu voltar para sua cidade, e para o que
era antes.
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